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domingo, 27 de maio de 2012

Especial Cannes 2012 - Encerramento & Premiação

O júri oficial da 65ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes (Cannes International Film Festival), presidido por Nanni Moretti, revelou a lista de premiados durante a cerimônia de encerramento, neste domingo (27). Bérénice Bejo comandou a premiação ao lado de Audrey Tatou e Adrien Brody. O filme escolhido para ser exibido no encerramento da cerimônia foi "Thérèse Desqueyroux" de Claude Miller, com Audrey Tautou, Gilles Lellouche e Anaïs Demoustier.

Em um balanço geral, a competição oficial apresentou uma quantidade generosa de filmes de língua inglesa,  que saíram da competição de mãos vazias. Foi o caso de "Cosmopolis" (David Cronenberg), "Killing Them Softly" (Andrew Dominik), "Mud" (Jeff Nichols), "On the Road" (Walter Salles), "Lawless" (John Hillcoat), "The Paperboy" (Lee Daniels) e "Moonrise Kingdom" (Wes Anderson).

Marion Cotillard era a grande favorita na categoria de melhor atuação feminina por seu trabalho em "Rust & Bone". O filme rendeu grandes elogios para a atriz francesa e para o diretor Jacques Audiard. O novo filme de Walter Salles (On the Road), infelizmente não impressionou a crítica internacional, que lançou comentários duvidosos durante o festival. 

Conheça abaixo os vencedores da 65ª edição do Festival de Cannes

#Palma de Ouro  - Amour (França)

Como esperado, Michael Haneke recebeu a Palma de Ouro pelo comovente drama "Amour", estrelado por Isabelle Huppert. O filme narra a história de um casal idoso lidando com as difíceis seqüelas de um derrame. Não é a primeira vez que o cineasta austríaco faz sucesso dentro do Festival de Cannes. Seu trabalho anterior, "A Fita Branca" também recebeu a Palma de Ouro em 2009.
#Grand Prix -  Reality (Itália)

O filme de Matteo Garrone ficou em segundo lugar durante a competição. A trama narra a história de um humilde pescador que se torna a grande estrela de um programa de reality-show.

#Prix du Juri - The Angels' Share (Inglaterra)

Ken Loach recebeu o prêmio do júri pela comédia britânica "The Angels' Share". O filme narra a história de um grupo de amigos que tentam uma vida nova para evitar serem presos.

#Melhor direção -  Post Tenebras Lux (México)

Carlos Reygadas foi premiado por "Post Tenebras Lux". O filme foi mal recebido pela crítica internacional, que o considerou incompreensível. Segundo Nanni Moretti,a decisão não foi unânime entre os jurados. 

#Melhor roteiro -  Beyond the Hills (Romênia)

Cristian Mungiu foi premiado pelo drama romeno, originalmente titulado, “Dupã Dealuri” (br: Além das colinas). A trama do filme segue duas amigas que cresceram juntas em um orfanato e sua amizade é colocada em teste quando uma delas decide se refugiar em um convento.

#Melhor atuação feminina -  Beyond the Hills (Romênia)

As atrizes Cosmina Stratan e Cristina Flutur dividiram o prêmio por suas atuações em “Dupã Dealuri”, filme fruto de um trabalho de cinco anos, realizado por Cristian Mungiu.

#Melhor atuação masculina -  Jagten (Dinamarca)

O ator Mads Mikkelsen foi premiado por seu trabalho em “Jagten” (br: A Caça), novo filme do cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg - um dos idealizadores do movimento cinematográfico Dogma95.

#Câmera de ouro -  Beasts of the Southern Wild (EUA)

Behn Zeitlin recebeu o prêmio em uma categoria dedicada aos trabalhos de cineastas estreantes. O filme do diretor norte-americano também foi a sensação da última edição do Festival de Sundance em 2012.

> Prêmios complementares da 65ª edição do Festival de Cannes <

#Palma de ouro da curta-metragem 
SILENCE - Realizado por L.Rezan YESILBAS

#Menção especial - Un Certain Regard 
DJECA - Realizado por Aida BEGIC 

#Prêmio de Interpretação Feminina - Un Certain Regard 
À PERDRE LA RAISON Interpretado por Emilie DEQUENNE 
LAURENCE ANYWAYS Interpretado por Suzanne CLÉMENT 

#Prêmio Especial do Júri - Un Certain Regard 
LE GRAND SOIR - Realizado por Gustave KERVERN, Benoît DELÉPINE 

#Prémio Un Certain Regard 
DESPUÉS DE LUCIA Realizado por Michel FRANCO 

#Primeiro Prémio da Cinéfondation 
DOROGA NA Realizado por Taisia IGUMENTSEVA 

#Segundo Prémio da Cinéfondation 
ABIGAIL Realizado por Matthew James REILLY 

#Terceiro Prémio da Cinéfondation 
LOS ANFITRIONES Realizado por Miguel Angel MOULET

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Trailers - Rust & Bone

Para continuar no clima do Festival de Cannes (Cannes International Film Festival), aqui está o trailer de "Rust & Bone" (De rouille et d'os). O filme é dirigido por Jacques Audiard (O Profeta) e narra a história de Ali, um pai de família que deixa o norte de França para morar com sua irmã e seu marido no Antibes. Lá, ele cria um vínculo com Stephanie, uma bela treinadora de baleias. Mas seu relacionamento acaba crescendo após Stephanie sofrer um terrível acidente.

Marion Cotillard protagoniza este drama francês, ao lado de Matthias Schoenaerts. "Rust & Bone" faz parte da seleção oficial de Cannes 2012 e teve sua estréia na segunda noite do festival, com ótimas críticas para o cineasta Jacques Audiard e, especialmente, para a comovente atuação de Marion Cotillard. Sem dúvidas, "Rust & Bone" é um dos filmes mais promissores do ano.

Para mais informações sobre os principais lançamentos do cinema de 2012, acesse o nosso Guia de Cinema 2012.

Assista o trailer oficial (legendado em inglês)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Especial Cannes 2012 - Os destaques do festival


O Festival Internacional de Cinema de Cannes (Cannes International Film Festival) inicia nesta quarta-feira (16) e vai lançar, à nível internacional, uma gama de promessas para o cinema em 2012. Como de costume, a nova edição do festival contará com nomes renomados, incluindo Wes Anderson, David Cronenberg, Michael Haneke, & Andrew Dominik.

O júri é liderado pelo cineasta italiano Nanni Moretti e ainda conta com as presenças de Diane Kruger, Jean Paul Gaultier, Alexander Payne, Hiam Abbass, Raoul Peck, Emmanuelle Devos, Andrea Arnold e Ewan McGregor. Conheça abaixo as estréias mais aguardadas da 65ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes.

#The We and the I
Somente os festivais de cinema proporcionam a oportunidade de promover filmes que ainda não caíram no radar da crítica internacional. É o caso do novo filme de Michel Gondry, responsável pelo aclamado “O brilho eterno de uma mente sem lembranças”. A trama de seu novo filme ainda é um mistério total para o público, mas Cannes promete não deixar ele passar em branco. 
#Beyond the Hills
O aclamado cineasta romeno Cristian Mungiu retorna ao festival para lançar um filme que trabalhou por cinco anos. A trama é sobre duas amigas que cresceram juntas em um orfanato e, com o passar do tempo, uma delas encontra refúgio em um convento na Romênia.
#No
Após o renomado filme “Post Mortem”, o cineasta chileno Pablo Larraín chega em Cannes com um novo projeto. “No” é a primeira colaboração do cineasta com Gael Carcía Bernal e marca mais um capítulo da era política de Pinochet no Chile. 
#Lawless
O diretor de “A Estrada” prepara-se para lançar seu novo projeto em Cannes. John Hillcoat terá a oportunidade de impressionar a crítica internacional com um trabalho que aparenta ser consistente. O filme é baseado em uma história real e apresenta um grande elenco, composto por Shia Labeouf, Gary Oldman, Jessica Chastain & Tom Hardy.
#Killing Them Softly
Após dirigir "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”, Andrew Dominik une forças, novamente, com Brad Pitt para lançar o filme “Killing Them Softly”, adaptação do livro “Cogan’s Trade”. A nova edição do Festival de Cannes é uma grande oportunidade para Andrew Dominik conquistar platéias que não responderam positivamente ao seu belo clássico de western americano.
#Rust and Bone
O novo filme de Jacques Audiard é um dos mais aguardados pela crítica internacional. O cineasta francês ainda está colhendo os elogios do seu trabalho anterior em “O Profeta”. Com a forte presença de Marion Cotillard, o filme promete ser uma colisão de talentos, trazendo o melhor do cinema francês para ilustrar o festival.
#On the road
Walter Salles retorna ao festival de Cannes após o sucesso de “Linha da Passe”. Seu road-movie retrata a geração ‘beat’ norte-americana, um projeto distinto, comparado com seus trabalhos anteriores. O filme contém um elenco diversificado, encabeçado por Kirsten Stewart, Garrett Hedlund, Alice Braga, Sam Riley, Kirsten Dunst, Amy Adams e Viggo Mortensen. 
#Cosmopolis
Após promover “Um Método Perigoso” na última edição do Festival de Veneza, David Cronenberg apresenta mais um trabalho intrigante para a platéia mais exigente do cinema. Com um elenco eclético, composto por Robert Pattinson, Juliette Binoche, Samantha Morton & Paul Giamatti, “Cosmopolis” pode trazer muitos problemas ao cineasta - o filme narra uma odisséia absurda de um bilionário em busca do corte de cabelo perfeito em Nova York. “Cosmopolis” é uma adaptação da obra escrita por Don DeLillo e marca o retorno de Cronenberg no papel de roteirista.
#Amour
A última vez que Michael Haneke apareceu em Cannes, ele recebeu a Palma de Ouro por “A Fita Branca”, que também rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O cineasta é famoso por uma técnica precisa e pela frieza de seus trabalhos. Mas o título de seu novo filme, promete uma trama mais calorosa ao narrar a história de amor de um casal, onde um deles sofre com as seqüelas de um grave derrame. O elenco é formidável e conta com as presenças de Isabelle Huppert, Jean-Louis Trintignant & William Shimell.
#Moonrise Kingdom
Wes Anderson não demonstra timidez ao falar de seu próximo filme, que explora a sensação de estar apaixonado aos 12 anos de idade e quando tudo parece ser o fim do mundo. Com um tema peculiar e um elenco primoroso, composto por Bruce Willis, Edward Norton, Jason Schwartzmann, Tilda Swinton & Bill Murray, “Moonrise Kingdom” é um dos filmes mais promissores do ano e abre o Festival de Cannes em 2012.

imagens: HitFlix e IMDB

terça-feira, 15 de maio de 2012

Crítica: The Debt (No limite da mentira - 2010)

Remake da produção israelita “Ha-Hov”, o filme dirigido por John Madden circula pelos limites de uma simples história de heroísmo e a sombra que ela pode causar na vida das pessoas envolvidas. Escrito por Matthew Vaughn, Jane Goldman e Peter Straughan, “No Limite da Mentira” viaja entre dois períodos de tempo, com um suspense crescente envolvendo a delicada operação da Mossad na Alemanha, dividida após a 2ª Guerra Mundial.

"No Limite da Mentira" é um thriller de espionagem embalado por uma trama israelo-nazista sobre três agentes secretos da Mossad: Rachel (Helen Mirren), Stefan (Tom Wilkinson) e David (Ciarán Hinds). Aposentados e venerados por décadas pelo serviço prestado ao seu país, eles são atingidos por uma notícia pertubadora envolvendo uma antiga missão. Em 1965, Rachel (Jessica Chastain), Stefan (Marton Csokas) e David (Sam Worthington) receberam a difícil tarefa de rastrear Vogel (Jesper Christensen), um famoso criminoso nazista que vivia na Berlim Oriental. 


Helen Mirren e Jessica Chastain interpretam o mesmo papel com muita dedicação. Rachel é uma mulher misteriosa, dividida entre dois dilemas: sua família e uma verdade ainda não revelada. O talento de ambas as atrizes é indiscutível, Helen Mirren é dona de uma brilhante carreira cinematográfica e pode facilmente ser considerada a grande competição de Meryl Streep no título de melhor atriz da atualidade. Enquanto, Jessica Chastain pode ser considerada a grande revelação feminina de 2011. Em “No Limite da Mentira”, elas carregam elegantemente uma trama de suspense e entregam performances envolventes.

A presença masculina do filme é representada pelos atores Marton Csokas, Tom Wilkinson, Sam Worthington, Ciarán Hinds e Jesper Christensen. O filme é composto por um elenco renomado, que mantêm a sua mente girando através de uma história movida por mistério e decepção. O destaque na categoria masculina vai para o ator dinamarquês Jesper Christensen. Sua performance no papel do inescrupuloso Dr. Vogel, famoso por experimentos absurdos durante a 2ª Guerra Mundial, causou uma virada surpreendente no desfecho desse primoroso thriller pós-guerra.

O cineasta britânico John Madden (Shakespeare Apaixonado) provou ser a escolha ideal para dirigir esse conceituado remake de “Ha-Hov”, filme lançado em 2007. A maior parte do filme é ambientada dentro de um pequeno apartamento em Berlim, refletindo a sensação de claustrofobia e angústia dos personagens principais. Também é possível perceber a dedicação do diretor em relacionar “No Limite da Mentira” com os suspenses de Roman Polanski, onde o apartamento é sempre o cenário principal da trama.

“No Limite da Mentira” é um suspense instigante com cenas de ação que relembra o melhor do estilo da trilogia “A Identidade Bourne”, uma ótima alternativa para quem realmente é fã do gênero.

A resenha de "No Limite da Mentira" também está disponível no site da obvious magazine

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Crítica: The Lady (Além da Liberdade), um filme dirigido por Luc Besson


Luc Besson dirige o filme baseado na resistência birmanesa, liderada por Aung San Suu Kyi. O filme abre os olhos do espectador para o conflito asiático, mostrando o dramático retorno de uma mulher a sua terra natal. Localizado próximo à Índia, Laos e a China, o atual Myanmar (também chamada de Birmânia) é cenário dessa história contemporânea de luta, paz, coragem e amor. O filme mostra os acontecimentos na vida de Aung San Suu Kyi, do prêmio Nobel da Paz à morte de seu marido, como também, o fim de sua prisão domiciliar em 2010.

Aung San Suu Kyi é a filha do moderno fundador da Birmânia, Aung San, que foi assassinado pouco antes da independência do país. Casada com um estrangeiro e mãe de dois filhos, Suu Kyi deixou sua vida em Londres para cuidar da mãe doente em Rangoon, que passava por um conflito sangrento em protesto da ditadura militar. Aung San Suu Kyi foi persuadida por partidários para permanecer em Rangoon e fundar a Liga Nacional pela Democracia. Essa decisão custou o afastamento de seu marido (Michael Aris) e filhos (Alexander e Kim), que tiveram o visto de permanência negado pela Birmânia.

À primeira vista, “The Lady” (titulado Além da Liberdade no Brasil) pode parecer um filme extremamente político, mas a luta pela democracia birmanesa é colocada em segundo plano nas lentes de Luc Besson. Levou três anos para Rebecca Frayn escrever o roteiro do filme, que narra, em flashback, uma história de devoção e compreensão humana. Talvez, uma das maiores falhas de “The Lady” é a simplicidade de seu roteiro, que deixa muitas questões importantes da vida política e pessoal de Aung San Suu Kyi em aberto.

O conflito da Birmânia não ganhou a devida atenção nas mídias de massa ocidentais, mais uma razão para justificar a abordagem de Luc Besson em “The Lady”. O filme é, praticamente, educacional e explica de uma maneira comovente os sacrifícios que Aung San Suu Kyi se obrigou a enfrentar. Mas é questionável a ausência dos motivos pelos quais Suu Kyi precisou colocar sua terra natal à frente da família. Os anos que passou em prisão domiciliar foram retratados de maneira superficial pelo cineasta, que dedicou poucos minutos do filme a esse período tão sensível na vida de Aung San Suu Kyi.

Filmado na Tailândia e em Myanmar, “The Lady” é dirigido pelo cineasta francês Luc Besson, que apresenta imagens de pura inspiração. O filme traz cenas vívidas do conflito de Rangoon, mas comete erros em comum com “A Dama de Ferro”, outra cinebiografia lançada em 2012. Meryl Streep e Michelle Yeoh entregam performances maravilhosas no papel dessas grandes damas do cenário internacional, mas o roteiro não consegue fazer jus a grandiosidade de suas personagens.

Michelle Yeoh interpreta a heroína da Birmânia com muita serenidade. A atriz carrega elegantemente o peso de interpretar uma das figuras políticas mais queridas do mundo. A naturalidade de seus gestos e expressões faciais não deixam espaço para qualquer questionamento, Yeoh foi a escolha perfeita para protagonizar o filme. David Thewlis cumpre um dever duplo em “The Lady”. O ator interpreta o compreensível marido de Suu Kyi e também, o irmão gêmeo de Michel Aris. No filme, o personagem é diagnosticado com câncer terminal e enfrenta a terrível restrição de um regime totalitário, quase tão louco como o da Coréia do Norte.

“The Lady” cumpre mais do que seu papel cinematográfico. O filme dirigido por Luc Besson é um testemunho de coragem e sacrifício, que inspira o espectador através do retrato encantador de Aung San Suu Kyi.

A resenha de "The Lady" também está disponível no site da obvious.